Reforma Trabalhista pode colocar o país no banco dos réus em Corte Internacional

Brasil pode ser denunciado na Corte Interamericana de Direitos Humanos pela criação de uma sociedade de excluídos.

Escrito por: Rosely Rocha, especial para Portal CUT • Publicado em: 25/04/2018 - 11:17 • Última modificação: 25/04/2018 - 11:23 Escrito por: Rosely Rocha, especial para Portal CUT Publicado em: 25/04/2018 - 11:17 Última modificação: 25/04/2018 - 11:23

ROBERTO PARIZOTTI/CUT

A reforma Trabalhista do governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP), além de retirar direitos históricos dos trabalhadores, ampliar a informalidade e as condições precárias de trabalho, tem diversos dispositivos que violam a dignidade da pessoa humana, como é o caso da forma de cálculo das indenizações por acidentes de trabalho que podem ser feitas a partir do nível socioeconômico do trabalhador e da trabalhadora.

Essas e outras violações aos direitos humanos, que contribuem para aumentar a desigualdade ao excluir, jogar na pobreza e na miséria milhões de brasileiros, podem levar o Brasil a ser processado na Corte Interamericana de Direitos Humanos.  

No cenário pós reforma, para fazer valer os direitos sociais garantidos na Constituição Federal é fundamental ativar o sistema interamericano de proteção aos direitos humanos, do qual o Brasil faz parte, afirma o procurador do Ministério Público do Trabalho da 10ª Região (MPT), Cristiano Paixão. 

Ele exlica que “os direitos humanos possuem várias vertentes, uma delas é a dos direitos econômicos, e a Corte Interamericana, que confere eficácia a essa proteção, está conduzindo audiências públicas que compreendem vários casos, entre eles a precarização produzida pela reforma trabalhista, a Lei nº 13.467/2017”.   

Segundo o procurador do MPT, é um longo processo, que envolve mostrar à Comissão e a Corte que as políticas atuais do governo federal contêm uma forte violação aos direitos humanos. Isso ocorre em várias passagens da Lei nº 13.467 e também se manifestou na portaria sobre trabalho escravo, editada em outubro de 2017, e posteriormente revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

E para combater as violações de direitos trabalhistas legalizadas pela nova Lei, o MPT tem atuado em várias frentes, seja nos processos investigativos, seja na articulação nos órgãos internacionais, onde a entidade está mostrando o que está acontecendo com a classe trabalhadora brasileira.

 “Caso a Comissão Interamericana de Direitos Humanos confirme que o Brasil não conseguiu por suas próprias instituições proteger os direitos humanos, o país pode ser condenado pela Corte Interamericana a várias formas de reparação”, explica Cristiano Paixão.

Segundo o procurador do MPT, também é preciso que o discurso de afirmação sobre direitos humanos não seja associado a uma cultura de ódio e intolerância.

Para ele, a violência policial, a ausência de punição de violadores de direitos humanos no regime militar, a violência de gênero, a discriminação racial e, recentemente, os direitos sociais são um movimento de regressão civilizatória que vivemos na atualidade.

“A população precisa operar em várias frentes. Deve se posicionar como cidadão e cidadã. Lutar pelos direitos humanos é também, como trabalhadores e trabalhadoras, procurar os órgãos do sistema de justiça como a Justiça do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública.

“É fundamental resistir a todas as tentativas de desestabilização da Constituição de 1988. Ela continua sendo um documento atual, que fornece instrumentos hábeis a lutar por igualdade e liberdade”,

 

 

Título: Reforma Trabalhista pode colocar o país no banco dos réus em Corte Internacional, Conteúdo: A reforma Trabalhista do governo golpista e ilegítimo de Michel Temer (MDB-SP), além de retirar direitos históricos dos trabalhadores, ampliar a informalidade e as condições precárias de trabalho, tem diversos dispositivos que violam a dignidade da pessoa humana, como é o caso da forma de cálculo das indenizações por acidentes de trabalho que podem ser feitas a partir do nível socioeconômico do trabalhador e da trabalhadora. Essas e outras violações aos direitos humanos, que contribuem para aumentar a desigualdade ao excluir, jogar na pobreza e na miséria milhões de brasileiros, podem levar o Brasil a ser processado na Corte Interamericana de Direitos Humanos.   No cenário pós reforma, para fazer valer os direitos sociais garantidos na Constituição Federal é fundamental ativar o sistema interamericano de proteção aos direitos humanos, do qual o Brasil faz parte, afirma o procurador do Ministério Público do Trabalho da 10ª Região (MPT), Cristiano Paixão.  Ele exlica que “os direitos humanos possuem várias vertentes, uma delas é a dos direitos econômicos, e a Corte Interamericana, que confere eficácia a essa proteção, está conduzindo audiências públicas que compreendem vários casos, entre eles a precarização produzida pela reforma trabalhista, a Lei nº 13.467/2017”.    Segundo o procurador do MPT, é um longo processo, que envolve mostrar à Comissão e a Corte que as políticas atuais do governo federal contêm uma forte violação aos direitos humanos. Isso ocorre em várias passagens da Lei nº 13.467 e também se manifestou na portaria sobre trabalho escravo, editada em outubro de 2017, e posteriormente revogada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). E para combater as violações de direitos trabalhistas legalizadas pela nova Lei, o MPT tem atuado em várias frentes, seja nos processos investigativos, seja na articulação nos órgãos internacionais, onde a entidade está mostrando o que está acontecendo com a classe trabalhadora brasileira.  “Caso a Comissão Interamericana de Direitos Humanos confirme que o Brasil não conseguiu por suas próprias instituições proteger os direitos humanos, o país pode ser condenado pela Corte Interamericana a várias formas de reparação”, explica Cristiano Paixão. Segundo o procurador do MPT, também é preciso que o discurso de afirmação sobre direitos humanos não seja associado a uma cultura de ódio e intolerância. Para ele, a violência policial, a ausência de punição de violadores de direitos humanos no regime militar, a violência de gênero, a discriminação racial e, recentemente, os direitos sociais são um movimento de regressão civilizatória que vivemos na atualidade. “A população precisa operar em várias frentes. Deve se posicionar como cidadão e cidadã. Lutar pelos direitos humanos é também, como trabalhadores e trabalhadoras, procurar os órgãos do sistema de justiça como a Justiça do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública. “É fundamental resistir a todas as tentativas de desestabilização da Constituição de 1988. Ela continua sendo um documento atual, que fornece instrumentos hábeis a lutar por igualdade e liberdade”,    



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