Começa em todo o país a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária

Atividades da JURA estão sendo programadas em diversas Universidades Federais, Estaduais,

Escrito por: Leonardo Fernandes • Publicado em: 10/04/2017 - 16:02 Escrito por: Leonardo Fernandes Publicado em: 10/04/2017 - 16:02

Criada durante o 2º Encontro Nacional dos Professores Universitários, realizado em 2013, a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA) ocorre entre os meses de abril e maio em diversas Universidades Federais, Estaduais, Particulares e Institutos de ensino por todo o país.


O período foi definido para dialogar com o dia 17 de abril, no qual o MST denuncia a impunidade do massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido nessa mesma data, em 1996, resultando na morte de 19 trabalhadores Sem Terra. A JURA também busca visibilizar as ações de luta pela terra que o MST realiza durante o ‘Abril Vermelho’, relacionando sempre com temas da conjuntura atual.


Em 2017, o movimento pretende realizar a maior Jornada Universitária dos últimos quatro anos. Além da defesa da Reforma Agrária Popular e da alimentação saudável, livre de agrotóxicos e transgênicos, a JURA denuncia os sucessivos ataques do governo ilegítimo de Michel Temer aos camponeses e camponesas do Brasil, tais como a redução de créditos para a agricultura familiar, a tentativa de privatização do assentamentos e o projeto de Reforma da Previdência, que acaba com a aposentadoria rural.


Em entrevista, Kelli Mafort, da Direção Nacional do MST, conta detalhes da proposta, seus objetivos, e os desafios do movimento para o próximo período.

 

Confira:

 

Como foi a evolução da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária nesses quatro anos de atividades?


A Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária é uma articulação do MST, mas que envolve outras organizações do campo, movimentos sociais urbanos, universidades, além dos núcleos políticos dentro das universidades, como o movimento estudantil, entre outros. Não se trata de um evento, mas de um espaço de articulação muito importante do ponto de vista organizativo e que tem resultados durante todo o ano.


A construção da JURA em nível nacional transformou essa proposta em um importante momento de formação política, de agitação, de propaganda da defesa da Reforma Agrária e também de comemoração em relação às conquistas que a luta pela terra possibilita para todos os assentados e assentadas, acampados e acampadas pelo Brasil afora. Em 2014, fizemos cerca de 40 atividades nas universidades. Em 2015, esse número cresceu para 50 atividades. Já em 2016, chegamos à marca de 60 universidades e Institutos que receberam a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária. Os próprios números mostram que o encontro de 2013 acertou na avaliação política sobre a abrangência dessa Jornada, que tem sido muito efetiva em todo o país.


Que tipo de atividades são realizadas durante a JURA?


As atividades da JURA são diversas. Elas vão desde debates organizados nas universidades, até processos de vivência, ou seja, a visita de jovens universitários em áreas de assentamentos e acampamentos. Também são realizadas feiras da Reforma Agrária nas universidades, para as quais os produtores e produtoras levam seus produtos. São alimentos saudáveis, artesanatos, livros… Essas feiras são muito diversas e reúnem atividades culturais que valorizam os saberes da terra, os cantadores, as cantadoras, os poetas, os que lutam na defesa da Reforma Agrária Popular. Em algumas universidades são montados barracos de lona preta, que reproduzem a marca principal do acampamento, da luta, e que também servem para denunciar que temos hoje cerca de 120 mil famílias acampadas pelo Brasil afora, algumas há mais de 15 anos. É também uma maneira de denunciar que a Reforma Agrária ainda não foi feita no nosso país, e por isso é tão importante continuar lutando para fazer justiça social no campo brasileiro.


A Jornada desse ano terá um tema principal?


As JURAs normalmente têm um tema central. No ano passado, por ocasião do aniversário de 20 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, esse foi o tema principal da Jornada Universitária, articulado à denúncia da criminalização dos movimentos sociais e sob o lema ‘lutar não é crime’. Esse ano, a conjuntura política adiciona alguns ingredientes à Jornada. Dessa forma, não terá um único tema. Vivemos uma conjuntura de golpe político, midiático, parlamentar, jurídico, e dentro desse processo que está em curso no nosso país, a Jornada Universitária buscará vincular os temas relacionados à Reforma Agrária, e a própria discussão sobre o projeto popular de Brasil.


Então a Jornada Universitária de 2017 se insere na luta contra o golpe?


A luta contra esse golpe é a luta contra a reforma trabalhista, a reforma da Previdência, contra a perda de direitos da população do campo. Então a JURA desse ano vai vincular esses diversos temas: a resistência ao golpe e o projeto popular para o Brasil; a defesa da educação pública, pois educação é um direito, não mercadoria; a defesa da Reforma Agrária Popular; contra o projeto de privatização dos assentamentos, sob o nome de titulação; contra criminalização dos movimentos sociais (hoje temos 16 presos políticos do MST); e além disso, algumas datas comemorativas desse ano estarão presentes na mística da JURA, entre elas, os cem anos da Revolução Russa, que sem dúvida é um referencial de luta, de ousadia dos trabalhadores e trabalhadoras. Também vamos lembrar os 50 anos do assassinato de Che Guevara, e que servirá também para marcar posição contra o processo de criminalização e perseguição dos que fazem a luta e para homenagear as grandes conquistas do povo cubano através da construção do socialismo.


Por último, em 2017 vamos lembrar também os 20 anos da morte de Paulo Freire, esse importante educador, militante enraizado na luta popular, e que demonstrou na prática o quanto a alfabetização é uma tarefa política que deve ser empenhada por toda a sociedade, mas que deve ser impulsionada principalmente pelos educadores e educadoras populares no interior dos movimentos sociais.


Quais atividades estão previstas para o Estado de São Paulo?


Aqui no estado de São Paulo estão sendo organizadas diversas atividades. Já podemos afirmar, com toda certeza, que essa será a maior Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária aqui no estado. Já são mais de 15 confirmações envolvendo importantes universidades, tais como a UFSCar, que vai realizar atividades nos campus de São Carlos e Buri; a Unesp, que está presente no interior de São Paulo, e vai realizar atividades nos campus de Franca e Presidente Prudente; a USP, na capital paulista e também em São Carlos e Piracicaba; a Unifesp, nos campus de Osasco e Guarulhos.


A UFSCar marcou as atividades para os dias 17 e 18 de abril, e a Unifesp no dia 18 de abril. Então é uma agenda bastante importante, e que mostra que em todas elas há muita resistência ao modelo predominante de sociedade e de produção de alimentos.


No mesmo período da JURA são realizadas outras atividades políticas do MST. De que maneira elas dialogam entre si?


A JURA está totalmente articulada com essas outras ações, como por exemplo, a Jornada Nacional pela Alimentação Saudável, que nós realizamos desde 2015, e que tem um caráter interno do movimento, nos acampamentos, assentamentos, e externo, ou seja, voltado para o conjunto da sociedade, pautando os impactos danosos, desastrosos do uso intensivo de agrotóxicos, e da liberação indiscriminada dos transgênicos. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. São 7,4 litros de veneno por habitante, consumidos anualmente. Há uma explosão dos casos de intoxicação, de câncer. E por isso, a sociedade brasileira precisa se engajar nesse debate.


Nesse sentido, nós realizaremos entre os dias 4 a 7 de maio, no Parque da Água Branca, em São Paulo, a 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária. A primeira feira ocorreu em 2015, e trouxe à capital paulista a diversidade de alimentos produzidos nos nossos assentamentos de todo o Brasil, com todas as diferenças e riquezas regionais. Trouxe a produção in natura, mas também produtos da nossa agroindústria. Trouxe a culinária da terra, com os diversos sabores, fruto de saberes do campo, da nossa diversidade regional, atividades culturais, como shows, teatro, poesia, além de debates sobre grandes temas, como é o caso da alimentação saudável e das políticas públicas para o campo.


Dessa forma, a Feira Nacional, assim como as diversas feiras regionais, a Jornada de Alimentação Saudável e as JURAs estão totalmente articuladas em torno de um mesmo objetivo: ampliar o debate sobre a importância da Reforma Agrária Popular, da luta pela terra, e da alimentação saudável, livre de transgênicos e agrotóxicos. 

Título: Começa em todo o país a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária, Conteúdo: Criada durante o 2º Encontro Nacional dos Professores Universitários, realizado em 2013, a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária (JURA) ocorre entre os meses de abril e maio em diversas Universidades Federais, Estaduais, Particulares e Institutos de ensino por todo o país. O período foi definido para dialogar com o dia 17 de abril, no qual o MST denuncia a impunidade do massacre de Eldorado dos Carajás, ocorrido nessa mesma data, em 1996, resultando na morte de 19 trabalhadores Sem Terra. A JURA também busca visibilizar as ações de luta pela terra que o MST realiza durante o ‘Abril Vermelho’, relacionando sempre com temas da conjuntura atual. Em 2017, o movimento pretende realizar a maior Jornada Universitária dos últimos quatro anos. Além da defesa da Reforma Agrária Popular e da alimentação saudável, livre de agrotóxicos e transgênicos, a JURA denuncia os sucessivos ataques do governo ilegítimo de Michel Temer aos camponeses e camponesas do Brasil, tais como a redução de créditos para a agricultura familiar, a tentativa de privatização do assentamentos e o projeto de Reforma da Previdência, que acaba com a aposentadoria rural. Em entrevista, Kelli Mafort, da Direção Nacional do MST, conta detalhes da proposta, seus objetivos, e os desafios do movimento para o próximo período.   Confira:   Como foi a evolução da Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária nesses quatro anos de atividades? A Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária é uma articulação do MST, mas que envolve outras organizações do campo, movimentos sociais urbanos, universidades, além dos núcleos políticos dentro das universidades, como o movimento estudantil, entre outros. Não se trata de um evento, mas de um espaço de articulação muito importante do ponto de vista organizativo e que tem resultados durante todo o ano. A construção da JURA em nível nacional transformou essa proposta em um importante momento de formação política, de agitação, de propaganda da defesa da Reforma Agrária e também de comemoração em relação às conquistas que a luta pela terra possibilita para todos os assentados e assentadas, acampados e acampadas pelo Brasil afora. Em 2014, fizemos cerca de 40 atividades nas universidades. Em 2015, esse número cresceu para 50 atividades. Já em 2016, chegamos à marca de 60 universidades e Institutos que receberam a Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária. Os próprios números mostram que o encontro de 2013 acertou na avaliação política sobre a abrangência dessa Jornada, que tem sido muito efetiva em todo o país. Que tipo de atividades são realizadas durante a JURA? As atividades da JURA são diversas. Elas vão desde debates organizados nas universidades, até processos de vivência, ou seja, a visita de jovens universitários em áreas de assentamentos e acampamentos. Também são realizadas feiras da Reforma Agrária nas universidades, para as quais os produtores e produtoras levam seus produtos. São alimentos saudáveis, artesanatos, livros… Essas feiras são muito diversas e reúnem atividades culturais que valorizam os saberes da terra, os cantadores, as cantadoras, os poetas, os que lutam na defesa da Reforma Agrária Popular. Em algumas universidades são montados barracos de lona preta, que reproduzem a marca principal do acampamento, da luta, e que também servem para denunciar que temos hoje cerca de 120 mil famílias acampadas pelo Brasil afora, algumas há mais de 15 anos. É também uma maneira de denunciar que a Reforma Agrária ainda não foi feita no nosso país, e por isso é tão importante continuar lutando para fazer justiça social no campo brasileiro. A Jornada desse ano terá um tema principal? As JURAs normalmente têm um tema central. No ano passado, por ocasião do aniversário de 20 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, esse foi o tema principal da Jornada Universitária, articulado à denúncia da criminalização dos movimentos sociais e sob o lema ‘lutar não é crime’. Esse ano, a conjuntura política adiciona alguns ingredientes à Jornada. Dessa forma, não terá um único tema. Vivemos uma conjuntura de golpe político, midiático, parlamentar, jurídico, e dentro desse processo que está em curso no nosso país, a Jornada Universitária buscará vincular os temas relacionados à Reforma Agrária, e a própria discussão sobre o projeto popular de Brasil. Então a Jornada Universitária de 2017 se insere na luta contra o golpe? A luta contra esse golpe é a luta contra a reforma trabalhista, a reforma da Previdência, contra a perda de direitos da população do campo. Então a JURA desse ano vai vincular esses diversos temas: a resistência ao golpe e o projeto popular para o Brasil; a defesa da educação pública, pois educação é um direito, não mercadoria; a defesa da Reforma Agrária Popular; contra o projeto de privatização dos assentamentos, sob o nome de titulação; contra criminalização dos movimentos sociais (hoje temos 16 presos políticos do MST); e além disso, algumas datas comemorativas desse ano estarão presentes na mística da JURA, entre elas, os cem anos da Revolução Russa, que sem dúvida é um referencial de luta, de ousadia dos trabalhadores e trabalhadoras. Também vamos lembrar os 50 anos do assassinato de Che Guevara, e que servirá também para marcar posição contra o processo de criminalização e perseguição dos que fazem a luta e para homenagear as grandes conquistas do povo cubano através da construção do socialismo. Por último, em 2017 vamos lembrar também os 20 anos da morte de Paulo Freire, esse importante educador, militante enraizado na luta popular, e que demonstrou na prática o quanto a alfabetização é uma tarefa política que deve ser empenhada por toda a sociedade, mas que deve ser impulsionada principalmente pelos educadores e educadoras populares no interior dos movimentos sociais. Quais atividades estão previstas para o Estado de São Paulo? Aqui no estado de São Paulo estão sendo organizadas diversas atividades. Já podemos afirmar, com toda certeza, que essa será a maior Jornada Universitária em Defesa da Reforma Agrária aqui no estado. Já são mais de 15 confirmações envolvendo importantes universidades, tais como a UFSCar, que vai realizar atividades nos campus de São Carlos e Buri; a Unesp, que está presente no interior de São Paulo, e vai realizar atividades nos campus de Franca e Presidente Prudente; a USP, na capital paulista e também em São Carlos e Piracicaba; a Unifesp, nos campus de Osasco e Guarulhos. A UFSCar marcou as atividades para os dias 17 e 18 de abril, e a Unifesp no dia 18 de abril. Então é uma agenda bastante importante, e que mostra que em todas elas há muita resistência ao modelo predominante de sociedade e de produção de alimentos. No mesmo período da JURA são realizadas outras atividades políticas do MST. De que maneira elas dialogam entre si? A JURA está totalmente articulada com essas outras ações, como por exemplo, a Jornada Nacional pela Alimentação Saudável, que nós realizamos desde 2015, e que tem um caráter interno do movimento, nos acampamentos, assentamentos, e externo, ou seja, voltado para o conjunto da sociedade, pautando os impactos danosos, desastrosos do uso intensivo de agrotóxicos, e da liberação indiscriminada dos transgênicos. O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo. São 7,4 litros de veneno por habitante, consumidos anualmente. Há uma explosão dos casos de intoxicação, de câncer. E por isso, a sociedade brasileira precisa se engajar nesse debate. Nesse sentido, nós realizaremos entre os dias 4 a 7 de maio, no Parque da Água Branca, em São Paulo, a 2ª Feira Nacional da Reforma Agrária. A primeira feira ocorreu em 2015, e trouxe à capital paulista a diversidade de alimentos produzidos nos nossos assentamentos de todo o Brasil, com todas as diferenças e riquezas regionais. Trouxe a produção in natura, mas também produtos da nossa agroindústria. Trouxe a culinária da terra, com os diversos sabores, fruto de saberes do campo, da nossa diversidade regional, atividades culturais, como shows, teatro, poesia, além de debates sobre grandes temas, como é o caso da alimentação saudável e das políticas públicas para o campo. Dessa forma, a Feira Nacional, assim como as diversas feiras regionais, a Jornada de Alimentação Saudável e as JURAs estão totalmente articuladas em torno de um mesmo objetivo: ampliar o debate sobre a importância da Reforma Agrária Popular, da luta pela terra, e da alimentação saudável, livre de transgênicos e agrotóxicos. 



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