Mulheres na luta para avançar nos direitos

Mulheres na luta para avançar nos direitos

Escrito por: Lucilene Binsfeld (Tudi) Publicado em: 09/03/2016 Publicado em: 09/03/2016

Existem hoje, segundo o IBGE, quase 5 milhões de mulheres a mais que homens no Brasil. Representamos 47,1% da população economicamente ativa, mas ainda ganhamos, em média, 25,5% a menos que os homens. Em geral, somos subordinadas, e é assim que o mercado espera que continuemos.

Exercemos jornadas duplas, triplas, múltiplas, mas somos as primeiras a serem dispensadas quando os menores sinais de crise batem à porta das empresas.

Ainda somos maioria na base da pirâmide das faixas salariais, apesar de possuirmos mais escolaridade. A nós também se destinam os cargos de funções de rotina e de pouca capacitação, justamente onde está a maior disparidade salarial, disparidade que se acentua quando a mulher é negra. E sentimos no corpo o reflexo dessa condição: em cada dez pessoas afetadas por lesões de esforço repetitivo (LER), oito são mulheres. E mesmo quando conseguimos chegar aos cargos de chefia, recebemos 22% a menos que os homens que ocupam os mesmo cargos.

A nós é imposta a responsabilidade de educar os filhos, de zelar por seu conforto, mas se os acompanhamos ao médico, damos margem para sermos advertidas em nossos empregos, pois as empresas não aceitam o atestado médico dos filhos. Enquanto isso, nossa sociedade prega que o homem precisa manter o posto de trabalho para garantir o sustento da família, mas a nós mulheres, cabe o complemento da renda.

 

No campo, são as mulheres as grandes protagonistas das mudanças da relação com a terra, são as responsáveis por perpetuar os bancos de sementes, de manter vivas as tradições sustentáveis. Mas o que o mercado enxerga são os grandes empresários do agronegócio, rodeados de maquinários, de defensivos e de planilhas de exportação.

 

Diante de tantas diferenças, não podemos nos calar. Nossa história na luta por mudanças não começou ontem. Conquistamos o direito ao voto em 1934, porém somos a minoria no parlamento. Conquistamos, nos anos 1950, a convenção 100 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante remuneração igual para trabalho de igual valor e ainda estamos distantes dessa realidade. Conquistamos, nos anos 1980, a convenção 156 da OIT, que trata da responsabilidade compartilhada em relação a filhos e afazeres domésticos, mas ainda não conseguimos colocar em prática.

 

Sabemos das dificuldades, mas elas não nos detêm. Ao contrário, nos estimulam a lutar ainda mais. Por isso, precisamos nos unir para garantir que nossos direitos sejam respeitados e ampliados.




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