Mídia de esquerda: um sonho possível

Mídia de esquerda: um sonho possível

Escrito por: Roni Barbosa e Admirson Medeiros (Greg) Publicado em: 05/07/2016 Publicado em: 05/07/2016

Aperfeiçoar a capacidade de nos comunicarmos com nossa base e com a população em geral é uma das tarefas mais urgentes e debatidas entre nós. Melhoramos bastante, estamos atuando muito bem nas redes sociais e ampliamos as trocas com parceiros estratégicos, como TVT, Rede Brasil Atual e blogs progressistas.

Mas isso ainda não é suficiente. Precisamos de mais. Durante esta semana, entre os dias 28 e 30 de junho, vamos realizar o nosso 9º ENACOM (Encontro Nacional de Comunicação da CUT), em São Paulo. Secretários estaduais de comunicação e profissionais de mídia de nossos sindicatos e confederações vão debater táticas e estratégias para avançarmos nessa direção, com o auxílio de especialistas convidados.

Desde o nosso primeiro ENACOM, o desafio colocado é consolidar nossa rede de comunicação. Essa rede seria a troca constante de dados e informações entre todas as nossas entidades, fazendo com que sites, páginas na internet, tuíter, instagram e facebook produzissem conteúdo relevante e que as demais entidades os reproduzissem, formando assim um círculo virtuoso de circulação de ideias contra-hegemônicas.

Essa é uma tarefa ainda inconclusa, infelizmente. Cada um de nós poderia encontrar diferentes motivos para esse resultado. Falaremos disso mais detidamente no ENACOM.

Conteúdo de credibilidade

Porém, desde já, algumas iniciativas a ser tomadas estão claras. Nossos sindicalizados e nossa base em geral precisam de informações que mostrem o outro lado, aquilo que as grandes emissoras de TV, rádio, jornais e portais não mostram. Mais que isso: a verdade que distorcem e camuflam.

Para isso, precisamos produzir conteúdo com credibilidade, que traga dados, que tenha apuração e que faça relações com o panorama político-econômico, em linguagem acessível. Temos parceiros extremamente preparados para nos auxiliar nessa tarefa, como o Dieese e suas subseções, além de especialistas e acadêmicos de nosso campo. Dados e conhecimento a ser explorados existem, cabe a nós reportá-los em textos, vídeos, gráficos, áudio, fotos.

Essa tarefa exige dedicação dos trabalhadores e trabalhadoras de comunicação de nossas entidades. Exige especialmente um deslocamento de agenda, em que as tarefas mais burocráticas não sejam empecilho. Por parte de nossos dirigentes, exige desprendimento. É importante reconhecer que nossos veículos de comunicação, desde jornais até meios eletrônicos, devem servir para algo mais que o relato das agendas e das atividades das lideranças. As razões que nos levam a fazer atividades e mobilizações devem ser retratadas com maior destaque e transparência do que as ações em si, se quisermos angariar apoio entre aqueles que não frequentam nosso meio.

Disputa de hegemonia

Devemos também reconhecer e utilizar nossos veículos já consolidados, como o Jornal de Rádio da CUT – retransmitido por centenas de rádios comunitárias pelo Brasil – os jornais de rádios locais, nossas redes sociais, nossos sites e tantos outros. Para conhecer os instrumentos de que dispomos em cada região do Brasil, vamos distribuir durante o ENACOM um questionário de extrema importância, que vai diagnosticar o potencial e as carências que temos hoje nas estaduais e nos ramos e somarmos energia para ampliar nosso raio de ação. Pedimos que todos respondam ao questionário.

Nosso horizonte deve sempre considerar as diretrizes de luta de âmbito nacional, expressadas nas resoluções de nosso Congresso, da nossa Executiva, do planejamento estratégico recentemente concluído. Claro, sem esquecer as lutas e a política de cada cidade ou região, mas tendo consciência sempre de que nossa luta é uma disputa de hegemonia na sociedade. Especialmente em tempos de profunda crise e descrédito na política como vivemos hoje.

De sua parte, a CUT Nacional tem feito investimentos, como no caso dos cursos de formação em comunicação, que queremos multiplicar em cada uma de nossas entidades.

Troca com outros movimentos

A integração com outros agentes sociais é outro desafio, e temos tido uma importante experiência no último ano, quando a CUT e mais de 60 entidades formaram a Frente Brasil Popular e a Frente Povo sem Medo para combater o golpe. Temos conseguido aplicar uma estratégia de comunicação comum. O amálgama devem ser as bandeiras que nos unem, acima de diferenças partidárias ou de concepção sindical – exceção feita a entidades que se unem a golpistas, pois aí não há ação conjunta possível.

Esse processo de integração pode ser ampliado, incluindo movimentos e coletivos não associados a partidos ou centrais sindicais mas que, a seu modo, têm debatido questões sociais relevantes e combatido as diferentes facetas do golpe em curso. Tomando emprestada uma expressão da jornalista Laura Capriglione: não podemos falar apenas com os “tarados por política”. Secundaristas que ocupam escolas, mulheres que fazem marchas contra a cultura do estupro, torcidas organizadas que reivindicam democratização do futebol, ambientalistas que buscam um novo modelo de desenvolvimento e tantos outros grupos pensantes e ativos podem se reconhecer em nossa comunicação, desde que dermos espaço a eles.

Nesse ideal de construção de uma forte e unificada mídia de esquerda, cabe igualmente o sonho de construção de um grande portal de internet, que hospede blogs e sites progressistas, aumentando nossa visibilidade e, especialmente, das ideias de justiça social, de fraternidade, soberania nacional, respeito e valorização das diferenças, distribuição de renda e valorização dos trabalhadores e trabalhadores e seus direitos.

Um programa nacional de rádio e outro de TV seriam, a nosso ver, um desdobramento dessa luta.

É um sonho possível.

 



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